Sexta-feira, 8 de Setembro de 2006
30 de Setembro de 2006 - good-bye fens and dreaming spires
Com todo o lufa-lufa das mudanças e a falta de adaptadores para as tomadas japonesas, deixei de escrever por uns tempos – mas não desesperem pois estou, de novo, no activo! Adaptadores e extensões benditas, posso finalmente deitar mãos à massa (recebi hoje as minhas malas! Já explico...).
Ora comecemos pelo princípio...ainda em Cambridge. Talvez não saibam mas tive uns problemas desgraçados para fazer as mudanças e conseguir empacotar tudo atempadamente. Tudo isto porque só quando tive de começar a arrumar a minha tralha é que realmente me dei conta do quanto tinha acumulado nos quase 6 anos passados em Inglaterra (Janeiro 2001 – Setembro 2006)! E tinha tudo no meu quarto do Wolfson, o que torna a situação ainda mais surrealista pois aqueles que o viram sabem que não era assim tão grande quanto isso. De uma coisa me deu conta – sou extremamente eficaz a aproveitar todos os cantos e recantos de espaço! De outra maneira nem metade do material lá caberia! Por conseguinte, dei por mim a precisar de cerca de duas semanas para primeiro arranjar cartões decentes e depois escolher detalhadamente o que iria para Portugal e o que precisaria, absolutamente, aqui no Japão. Assim foi que comecei por empacotar 6 caixotes, com cerca de 25 kg cada, com roupas, livros, CDs, etc. Este primeiro molho tinha, como destino, Portugal, mais precisamente a casa dos meus pais! Bem-hajam por concordarem com isto! Porque realmente é muito cartão e material! Escolher uma companhia de mudanças para levar as caixas foi uma aventura. Digamos que havia diferentes escolhas mas todas faziam a 3 libras / kg (multipliquem 3 x 6 x 25 e já vêem o preço que teria de pagar!). Quase conformado que iria ter de gastar uma pipa de massa, o meu pai conseguiu identificar um negócio da China. Acontece que lá para os lados de Londres há uma companhia de transitários que normalmente transporta mercadorias entre Portugal e Inglaterra e – espantem-se! – faziam 1 libra / kg! E, mais, iam levar lá a casa. O único problema é que teria eu mesmo de entregar as caixas no entreposto em Londres. Na verdade, mesmo com o aluguer da comercial, gasóleo, etc., ficou bem mais barato – mas também me deu o cabo dos trabalhos pois para dar com a ruela onde eles estão, em Londres, levou-me a manhã inteira!
Metade do trabalho feito, e aqui o meu quarto parecia outro - muito mais espaço e até a acústica mudara consideravelmente - comecei a apurar as coisas com destino ao Japão. Junto com o material que tinha no laboratório posso dizer-vos que enchi 2 malas de viagem (cada uma com cerca de 22 kg), uma mochila de campismo (15 kg), duas caixas de cartão (20 kg cada) e finalmente a mochila do laptop com alguns 7 kg! Contas feitas são 106 kg! Pois é, não é fácil esta vida de mudanças! E isto, para ser sincero, são só os livros essenciais, as minhas roupas (Verão, Inverno, lençóis, etc.) e umas quinquilharias diversas (cabos de computador, ...). Claro que são coisas que poderia comprar aqui no Japão mas acho que sair-me-ia caro e perderia um tempo incrível, e depois, seria uma pena uma vez que nem sabia se encontraria coisas ao meu gosto (pelo menos em Tsukuba)...enfim houve uma série de factores que me levaram a trazer “as minhas coisas”. E ainda bem que o fiz, digo-vos agora! A roupa aqui pelo que tenho visto não é nada de especial e os livros vão-me dar bastante jeito. Bom, todo este material ainda pensei mandá-lo através das companhias de mudanças, no mínimo as duas caixas de cartão. E não é que para me levarem 40 kg para o Japão “porta-a-porta” os sacanas me pediam 800 libras! Isto é o roubo do século! Um rip-off completo. Lá andava eu a stressar outra vez quando a Mariana me disse que talvez fosse possível mandar as caixas por UPS usando a conta da empresa dela. A desvantagem seria que poderia demorar algumas semanas até ter o material comigo. Como os preços que a empresa aufere é cerca de um terço do que como individuo teria de pagar, e visto que o conteúdo das caixas são mais livros e papeis vários os quais só precisaria mais tarde, concordei. Entretanto, os outros cerca 75 kg, decidi que não iria mandar pela companhia de mudanças e que levaria comigo as malas e mochilas no avião. A SAS (Scandinavian Airlines) estupidamente só me deram 20 kg de bagagem! Isto é completamente absurdo tanto mais que quem vá para os US tem pelo menos direito a 2 x 32 kg! Eu, que ia para o outro lado do mundo, e tinha de parar em Copenhaga, só tinha direito a 20 kg! Claro que refilei no balcão da SAS e lá me deram cerca de 10 kg extra (pouco!). Pensava eu que, tudo bem só tenho de levar o resto como excesso, e não deve haver grandes problemas com isso. Mas – para começar - porque as medidas anti-terrorismo ainda estavam em vigor em Heathrow só podia levar no avião um pequeno saco...como tal, a mochila do laptop foi no porão (computador foi comigo, pelo menos isso ainda deixaram, não foi tão mau como quando fui para Itália!). Seguidamente fui confirmar o excesso de bagagem. Quando eles me disseram o preço para os meus cerca de 45 kg extra, até caí de cu no chão! Meu Deus, eles pediram-me 1600 libras...sim, sem brincadeira, 1600 LIBRAS PARA 45 KG!!!! Bonito...ali estava eu no aeroporto, sem ter praticamente dormido (2 horas apenas pois tinha saído do Wolfson às 4h00 e a noite tinha sido de despedidas, e como sempre acontece acaba-se por ficar mais tempo do que se devia, bla, bla, bla...estão a perceber a situação!)...ora, sem dormir e sem dinheiro para levar a minha bagagem! Informaram-me então que ali no aeroporto havia uma companhia que se encarregaria de levar as malas num avião de carga até ao aeroporto Narita, em Tóquio. Claro que nem sequer discuti...seria sempre mais barato que a porra das 1600 libras (e aqui nem valeu de nada ter refilado e esperneado...1600 libras e mais nada, era assim e assim era!). Bom, enfim lá fui ter com o pessoal da ExcessBaggage.com, os quais foram bastante prestáveis e eficazes (o que no caos que é o aeroporto de Heathrow é de louvar!). Fizeram-me um preço de pouco mais de 330 libras. Com a bagagem finalmente resolvida fui para a zona de embarque onde o avião da SAS me esperava para levar até à Dinamarca. E assim foi...um martírio...valeu-me o facto de ter chegado a Heathrow cerca de 4h00 antes da hora de partida do avião – chamem-lhe sexto sentido, lei de Murphy, o que quiserem, algo me dizia que qualquer coisa iria correr mal!


publicado por pmfjcosta às 17:00
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