Quarta-feira, 27 de Setembro de 2006
The portuguese alien
Mais umas aulas de Origami - desta feita andámos a fazer elefantes, sapos, corvos, uma bicharada de papel. Para a semana começam os cursos de japonês... já comprei os livros...isto não vai ser fácil....não percebo nada do que está escrito!
Dizem-me que, pelo que escrevo, estou a gostar da experiência nipónica – confesso que sim, é verdade, por enquanto o entusiasmo movido pela novidade ainda não esvaneceu. No entanto, no pouco tempo que aqui estou já deu para perceber que este mundo japonês está longe de ser perfeito. Pois, nem tudo são rosas. Falando com outros estrangeiros, sobretudo europeus e americanos que aqui vivem já há algum tempo apercebemo-nos que o japonês médio é ainda extremamente fechado.
Começa pelo facto de existir um número bastante baixo de naturalizações. Um aspecto que talvez condicione seriamente é eles não aceitarem a dupla nacionalidade. Neste momento, há toda uma discussão em como talvez venham a impor um limite para a população de residentes imigrantes de 3%. Por um lado os japoneses percebem que para manterem o nível de vida e desenvolvimento do país, necessitam de forma urgente e em bom número de imigrantes (asiáticos, na sua maioria). Por outro, devido à relativa homogeneidade sócio-cultural junto a um certo espírito de isolacionismo, eles não querem nem por nada abrir mão do país. É um paradoxo engraçado de seguir. No entanto, acho que se tivermos em consideração que eles estiveram fechados a países estrangeiros até ao fim do século 19 (período Edo), os progressos que já realizaram nesta matéria são notáveis.
Falando destas coisas de imigração esta semana recebi o meu cartão de residente estrangeiro (Alien Card). Serve como uma espécie de bilhete de identidade, sendo o seu porte obrigatório. Agora falta-me fazer a candidatura para a autorização de múltiplas entradas/saídas (isto aqui a burocracia também dói!). E para que serve este papel? Caso não o tenha, mesmo possuindo um visto de trabalho válido por 3 anos, vejo-me impossibilitado de sair do Japão. Isto porque se tiver de me ausentar, nem que seja por dois dias, perco direito ao meu lugar! Ou seja, o meu visto é de entrada única o que a bem dizer de pouco me serve pois como é obvio tenho de andar para trás e para a frente em viagens, congressos, reuniões, etc...
Entretanto, numa semana regada a muita chuva, temos um novo primeiro-ministro. Engraçado como tivemos eleições e, se não fosse pelos jornais, nem tinha dado por isso! É que eles não fazem campanha! Pelos menos aqui em Tsukuba não vi nada! Nada de carros com buzinas, distribuição de folhetos, cartazes, comícios,...discrição é uma coisa mas isto aqui mais parece um país politicamente morto! A Anna, uma sueca que já vive cá há 31 anos, diz-me que eles são pouco politizados, não discutem nem querem saber de governos ou leis. Engraçado começo a pensar que os povos asiáticos são assim, pouco ligam aos que os dirigem. Aceitam o que lhes dão, queixam-se pouco! São como os chineses; das dezenas com que tenho convivido só encontrei ainda um que era capaz de emitir opiniões e discutir política! A maior parte dos orientais foge destas coisas como o diabo da cruz! Estão bem para ditaduras, serem escravos de sistemas prepotentes! E isto não depende se a pessoa em questão é empregado de mesa ou doutorado em física teórica. É um estado de alma desta gente, acho.


publicado por pmfjcosta às 16:03
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