Sábado, 11 de Novembro de 2006
The end (sort of)

Prezado leitor,

venho por este meio comunicar-lhe que este blog foi desactivado.

Futuramente, poderá continuar a seguir os relatos e desventuras deste humilde viajante luso no seguinte endereco:

http://gaivotadotejo.blogspot.com/

Agradecido pela escolha e lealdade,

Gaivota do Tejo



publicado por pmfjcosta às 03:10
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Segunda-feira, 30 de Outubro de 2006
Chinesices
Sábado foi um dia dedicado ao turismo. A administração das residências Ninomiya e Takezono organizou uma viagem para os locatários até Yokohama, no sul de Tóquio. O plano previa uma visita à Chinatown seguida de uma ida ao Zoorasia.
Yokohama (http://en.wikipedia.org/wiki/Yokohama) - esta cidade costumava ser separada de Tóquio (tal como Amadora de Lisboa). Hoje devido à expansão das duas cidades não se distingue onde uma começa e a outra acaba.
Em 1857 o porto de Yokohama foi aberto ao comércio internacional. O Shogun de Tokugawa abria finalmente as portas do Japão ao mundo. Claro que para tal foi necessário um certo esforço de persuasão por parte dos americanos (o qual envolveu uma frota de vasos de guerra e umas ameaças pelo meio - pois, detalhes!). Com a abertura do porto, os ocidentais contrataram uma série de chineses para servirem de intérpretes e de pessoal de apoio. Estes rapidamente estabeleceram uma comunidade razão pela qual a Chinatown está hoje localizada em Yokohama e não no centro de Tóquio (ao contrário do que se passa em Londres ou Nova-Iorque, por exemplo). Deva dizer-se que a presença deste bairro resistiu a momentos extremamente turbulentos como sejam a primeira guerra sino-nipónica (1894-5), terramotos de grande magnitude e à WWII.
A primeira coisa que notei foi o estado impecável das ruas – muito diferente da de Londres! E engraçado notar que para alem das lojas chinesas também aqui se encontram estabelecidos comerciantes japoneses, franceses, etc. Trata-se na verdade de um bairro internacional (claro que a maioria continua a ser de origem chinesa, pura e dura). Deu para visitar uns templos confucionistas e budistas, comer umas empadas chinesas e andar por lá a passear umas duas horas.
Depois foi a vez do zoo. É um espaço simpático onde tentam recriar os habitats naturais dos animais. Pelo que percebi fazem também criação em cativeiro. Enfim, andámos por lá em grupo a ver macacos, leões, ursos e sei lá que mais! Acabámos a tirar umas fotos de grupo e voltámos nos autocarros para Tsukuba.
Claro que atravessar Tóquio de uma ponta à outra é sempre uma tortura. Passámos por zonas bastante interessantes com edifício de arquitectura fantástica como a sede das cervejas Asaki e a Fuji Tower, mas 3 horas no autocarro para fazer cerca de 100 km é demasiado! Viver em Tóquio é para malucos! Ou se tem muitíssimo dinheiro ou então do mesmo por falta de outra opção! Tal qual Londres, diga-se de passagem. São cidades com uma variedade enorme de coisas para se fazer, fascinantes para turismo e passar uns dias mas para fazer uma vida....não obrigado! Muito caras e um stress permanente. Barulho, movimento, trânsito, ... nahh... depois de Oxford e Cambridge acho que fiquei demasiado mimado – agora estou bem é em pequenas cidades.


publicado por pmfjcosta às 15:24
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Domingo, 29 de Outubro de 2006
A preguiça ao poder
Esta semana foi preenchida com bastante trabalho e longas sessões nos microscópios. Mas neste entretanto cheguei à conclusão que sou um preguiçoso comparado aos chineses! Ora senão vejamos: num dia típico, chego pelas 8h30-9h00 ao lab - alguns dos meus colegas chineses, mais madrugadores, já por lá andam. Por ali fico, em média, até às 19h-20h quando vou para casa. Os meus colegas chineses, amigos do anoitecer, permanecem. Nos dias em que as sessões nos microscópios se estendem até às altas horas da noite, por vezes meia-noite, saio das câmaras escuras, dirijo-me ao escritório e....boas-noites aos meus noctívagos colegas chineses. De vez em quando dou um salto ao instituto no Sábado e/ou Domingo e, certo como um relógio, uns quantos passeam-se entre laboratórios e computadores. E eu pergunto-me agora: será que estou realmente em falta ou esta gente vive, come e dorme nestes cubículos a que chamamos secretárias? É preciso dizer que não raro trazem a família para o escritório, sobretudo nos fins-de-semana. Eles vão trabalhar e elas e os miúdos ficam em frente aos computadores a jogar e surfar na net. Pois assim estamos...enfim, como isto é um tipo de vida que de forma alguma pretendo ter acho que tenho definitivamente de admitir que sou um preguiçoso! Viva ao dolce far niente!


publicado por pmfjcosta às 12:14
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Segunda-feira, 23 de Outubro de 2006
Espreitando o mundo da alta
Na sexta passada tivémos uma visita guiada pelas instalações dos NIMS. Na realidade, este Instituto é composto de 5 campus sendo os 3 principais localizados em Tsukuba (Namiki - onde trabalho, Sengen e Sakura). A enorme quantidade e qualidade da instrumentação é absolutamente fenomenal. Eu que já estava rendido aos encantos de Namiki, fiquei ainda mais impressionado ao finalmente compreender a dimensão gigantesca do NIMS. Senão vejamos: só em microscópios electrónicos isto parece uma autentica feira, três MeV (dois em Sakura e um em Namiki), uma estacão de fabricação e análise de nanoestruturas UHV com todo o tipo de aparelhos para estudos de superfícies e estruturais (só conheço um outro lab no mundo com uma igual, isto é, o Centro JT Watson na IBM), TEMs com correctores de aberrações, uma dezena ou mais de FEG-TEMs, ... acho que eles têm mais microscópios neste instituto do que existem em toda a Inglaterra! Do lado dos NMR acho que basta fazer referência ao monstro de 930 MHz para estudo de estado sólido. Dizem que não há outro igual no mundo! Pois é, imaginem o que não é possível fazer com tudo isto! Enfim, de ficar de boca aberta literalmente!
Há uns dias atrás fui a um jantar da Sociedade de Oxford e Cambridge em Tóquio. Este clube foi-me recomendado por uma amiga em Cambridge e reúne os ex-membros destas universidades que vivem no Japão. Eu inscrevi-me, deixei o meu nome para o jantar e quando lá cheguei estava à espera de encontrar uma série de japoneses excêntricos. Pois se eles lá estavam, a bem dizer, também não faltavam os gaijins. Trata-se, na verdade, de uma sociedade bastante internacional. O presidente actual é o Embaixador do Reino Unido.
O jantar em si foi no chamado Tóquio Club sito no distrito de Roppongi (ao qual já aqui me referi). Este é um clube de gentlemen tipo os de Londres. No Reino Unido, tive a oportunidade de conhecer um destes famosos clubes, mais precisamente o Oxbridge Club, no Pall Mall. Tal ocasião foi-me apresentada aquando do lançamento de uma fundação benemérita por um amigo meu. Claro está fiquei deveras impressionado pelo fausto. Estes clubes, para quem não sabe – pois, não leram as crónicas do João Carlos Espada no Expresso, está visto! – são uma tradição da upper-class Londrina e eram bastante famosos na época vitoriana e princípios do século XX. Nessa altura, era estritamente vedada a entrada a mulheres. Os membros necessitavam preencher uma série de rigorosos requisitos – entre os quais ser rico e poderosos, claro está! Hoje muito dos preconceitos caíram mas a selecção de membros é ainda bastante restrita (só por convite). E continuam porventura a servir de plataforma para contactos de alto nível. Aí convive-se, de copo de porto na mão, com ministros, lords, directores de empresas, políticos, estrelas do show-business, etc...enfim a grã-finagem toda. Voltando a Tóquio... pelo pouco que vi respira-se o mesmo ar de elitismo. Entrei no edifício ultra-moderno, apresentei o meu convite e fui guiado a uma sala onde se encontravam os comensais de Oxbridge. Foi como voltar aos tempos da high-table!
Ao meu lado estavam sentados catedráticos da universidade de Tóquio, altos quadros de bancos de investimento (tipo Merryl Linch e companhia), directores de empresas, etc...enfim gente importante. Pois...isto parece-me muita areia para a minha camioneta, dizia cá para os meus botões! O que vale é que havia mais uns pouco da minha idade! Mas foram todos bastante acolhedores...não tenho realmente razão de queixas. Uff...safei-me desta! De qualquer forma embora não seja bem my cup of tea, acho que este clube é uma porta escancarada para a alta roda empresarial e académica nipónica. No fim do jantar estavam-me a convidar-me para o próximo evento que terá lugar na Embaixada da Coreia do Sul. A ver vamos se tenho coragem!


publicado por pmfjcosta às 15:13
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Terça-feira, 17 de Outubro de 2006
Pirotecnia servida aos tremeliques
Neste Sábado passado tivemos mais um tremor de terra. Algo forte pois foi o suficiente para me acordar – isto eram cerca de 6 da matina! Vinte segundos de tremeliques e eu à espera que aquilo acabasse para poder voltar a dormir! O epicentro foi a coisa de 70 km da costa, ao largo de Tóquio, com uma intensidade de 5 na escala de Richter.
Também neste fim de semana tivémos o festival de fogo de artifício de Tsuchiura, uma pequena cidade a cerca de 20 km de Tsukuba. Todos os anos, por esta altura, as companhias pirotécnicas juntam-se num certame para apresentar as suas novidades. No final do dia competem entre si para ver quem consegue produzir os efeitos mais espectaculares. Disseram-me que poderia assistir ao espectáculo do topo do meu prédio. Fi-lo mas o que vi não me impressionou. Pensava eu que era tudo fogo de vista, muita publicidade para nada. Isto antes de ver as fotos daqueles que lá estiveram. Uns quantos de nós decidiram ir assistir ao concurso e os relatos e imagens que trouxeram deixaram-me arrependido de não ter ido também. Por isso está decidido, para o ano lá estarei (eu e as outras 200000 pessoas que anualmente lá vão).
Entretanto umas notas de Japonês – sabem como é que se diz espada? Katana! Não vos diz qualquer coisa? E peixe? Sacana! Sério, não estou a brincar. Contava-nos o prof de Japonês que os portugueses chegaram cá levados por um tufão. Na verdade, as naus portuguesas tinham rumo apontado para as Filipinas mas quando a tempestade os apanhou em alto-mar, levou-os para território nipónico. Os portugueses abrigaram-se no porto local, e em retribuição da ajuda dos locais no conserto das naus, adivinhem o que lhes oferecemos – espingardas! E assim iniciámos o armamento destas terras asiáticas. Pois, talvez tenhamos a nossa quota parte de culpa pelo que se passa na Coreia do Norte!
 
PS: Finalmente recebi o meu primeiro salário em yenes. Um envelope azul enorme contendo o recibo foi-me pessoalmente entregue pela Erika. Agora posso começar a procurar os últimos modelos de gadgets electrónicos e perder-me na showroom da Sony sem me sentir absolutamente frustrado.


publicado por pmfjcosta às 15:23
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Sábado, 14 de Outubro de 2006
Um chapéu de três bicos
Pelos vistos falta pouco para termos a confirmação oficial do teste nuclear da Coreia do Norte. Para mais, agora que o secretário-geral da ONU é do país vizinho, vamos lá a ver se eles acalmam. É que mesmo não tendo (possivelmente) a capacidade para lançar um ataque nuclear não me sinto nada bem se um dia aqueles tarados começarem a ameaçar o Japão (à falta de território americano a distancia viável, o Japão é o alvo preferido de Pyongyang).
É engraçado ver como o tecido geopolítico e económico desta região mudou nos anos recentes. Há pouco mais que uma década atrás tínhamos o Japão e mais nada. Alicerçado pela amizade com os US, este país mantinha um poder intocável na região. Agora, com o crescente desenvolvimento da China, Coreia do Sul e mesmo Índia, os nipónicos encontram-se numa posição muito mais delicada. Dizem-me que há uns anos seria impensável encontrar a quantidade produtos chineses e sul-coreanos que hoje se vêem nas prateleiras dos supermercados - especialmente no que toca aos electrodomésticos. Os japoneses simplesmente não os compravam.
Agora as coisas mudaram - as prateleiras estão em grande parte cheias de produtos dos dois países vizinhos; os amigos americanos babam-se de cada vez que os políticos de Beijing dizem que vão abrir mais umas janelas do enormíssimo mercado chinês. Ora tudo isto deixa os nipónicos cada vez mais stressados com o futuro. Pois...o melhor é começarem a ver as coisas como elas são e interiorizar que vão ter de se adaptar ao facto que deixaram de ser os senhores absolutos da região. O novo triunvirato é China, Coreia do Sul e Japão.
Muito se fala da China - dinheiro a rodos que tem sido literalmente despejado naquele país por parte de investidores, multinacionais e outros. E na verdade, muito desse dinheiro tem sido reinvestido em Ciência e Tecnologia. Beijing tem realizado um investimento nesta área que provavelmente não tem paralelo em lugar nenhum no mundo neste momento. Hoje, o salário de um cientista na China está muito acima do rendimento médio de um qualquer cidadão comum daquele país. De tal forma que o meu chefe quando foi de visita à Universidade de Beijing voltou completamente siderado com a qualidade e quantidade de equipamento com que os chineses se armaram nos últimos anos. Diz ele que há uma verdadeira revolução silenciosa a ocorrer na China. Que daqui a 5 - 10 anos eles estarão no top-3 mundial de nações em termos de desenvolvimento científico e tecnológico. E isto passa-se num pais que é regido por uma ditadura comunista!
Ora, a meu ver, devido ao condicionamento social da população chinesa durante décadas a fio, eles estão ainda longe de serem capazes de concretizar o saber-fazer ciência ao melhor nível dos laboratórios ocidentais e japoneses. Mas eles têm mandado muita gente para fora, para os melhores laboratórios americanos, europeus, japoneses e muita da ciência mundial é presentemente feita graças ao suor de estudantes e pós-doutorandos chineses (aliás basta consultar os sites de grupos de investigação de Universidades americanas para ver que estes têm sempre a sua quota parte de chineses). Em Cambridge e Oxford, a mesma coisa. E aqui, no grupo do qual faço parte, somos a cerca de 90% constituídos por chineses. Aparte estes, temos um russo, dois japoneses, um indiano e um português (e o big boss, também ele japonês, é claro). Portanto, cuidem-se pois os chineses já não vão só trabalhar para os restaurantes ou para os supermercados do Centro Comercial Martim Moniz.


publicado por pmfjcosta às 07:58
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Quinta-feira, 12 de Outubro de 2006
Talk shows japoneses
Depois de passar cerca de 6 anos sem televisão em casa, finalmente tenho uma destas caixas para me entreter. Em Inglaterra, talvez porque tinha fácil acesso à Internet de banda larga (vantagem de estar em residências universitárias!), nunca me preocupei muito. Agora, tendo-a aqui é difícil resistir (tanto mais que tenho uma ligação Internet pré-histórica! De noite isto não dá nem para os emails!).
A minha readquirida atracção pela televisão advém dos muito sabores exóticos que constituem os canais japoneses. Não percebo nada do que dizem mas lá que é engraçado, lá isso não haja dúvidas. Na televisão estatal (e outros canais públicos) abundam os programas de talk-show/variedades tipo Herman José. No entanto, o visual aguerrido e colorido do show português fica muito aquém daquilo que por aqui se vê. Programas muito, mas mesmo muito kitsch são a norma aqui no Japão. Para mais eles têm uma quantidade enorme de concursos estapafúrdios, alguns que dificilmente se percebem. Mas a bem dizer há uns dias atrás vi a versão japonesa do Quem quer ser milionário? – vi, note-se! Sim, porque perceber....Outra presença quase ubíqua são os programas sobre comida ou melhor, sobre indivíduos a comer. Parece uma obsessão - ligamos a televisão, fazemos um zap rápido e, de 3 em cada 5 canais em média, lá está um fulano qualquer a dar ao dente, a sorrir para a camera de boca cheia e com os pauzinhos no ar. Enfim,...japonesices.
Outro pormenor engraçado são os telejornais da televisão estatal, NHK. Se pensam que o pessoal da RTP é sectário e gostam de se armar em engraçadinhos...os locutores nipónicos são extremamente opinativos e não se coíbem de tecer comentários de cada vez que um excerto noticioso termina. Depois de mostrarem a reportagem, é relativamente comum que a equipa de locutores (normalmente uma mulher e um homem) se virem um para o outro e comecem a trocar impressões sobre o assunto durante coisa de meio minuto ou mais. Assim ficamos a saber que eles têm muita pena pelo facto de o gato da Joana ter sido atropelado e que, por conseguinte, os condutores deveriam ter todos mais cuidado, são todos uns malvados e que agora a pobre da Joana está muito aflita e que isto assim não pode continuar, bla, bla, bla,...mais parece um sermão de padre...não há paciência!
Aparte isto de vez em quando mostram uns blockbusters americanos em difusão bilingue (louvável, cabe ao espectador escolher se quer assistir ao filme em inglês ou japonês!). Enfim, mais haverá para contar como o canal tv-shop cá do sítio (24 horas só para compras) ou os intermináveis jogos de basebol, sejam eles da liga japonesa ou americana!
É preciso ver para crer.


publicado por pmfjcosta às 16:09
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Segunda-feira, 9 de Outubro de 2006
Um novo sensei: Nakagawa-san
Há uns dias sentimos em Tsukuba o toque leve de um tufão que passava perto da costa leste do Japão. Dia e meio de chuva pesada e vento rodopiante que inundou todos os campos em redor. Depois das primeiras árvores se terem despido dos verdes fatos de Verão, seguem-se agora as restantes. Estas fazem-no de uma forma mais vistosa transformando-se num manto colorido, tipicamente outonal, escarlate pontilhado de amarelos e castanhos. Na verdade, trata-se de um atractivo turístico do Japão, com autênticas romarias anuais feitas ao cume de montes com vista para extensas florestas cor-de-fogo. Aqui, do meu flat no quarto andar, consigo ver umas poucas manchas coloridas mas nada que se compare com algumas das imagens de regiões mais a Norte que tem mostrado na televisão.
Finalmente tive as minhas primeiras aulas de japonês. O nosso professor (sensei Nakagawa) é um cinquentão simpático, fala um bom inglês e tem um sorriso espontâneo, desinibido, algo raro nos japoneses. Com isto, as primeiras aulas correram bem. Duas horas por sessão e, até agora, limitámo-nos a expressões de uso quotidiano, de aprendizagem fácil. Assim, já sei apresentar-me, falo umas frases-chaves e posso dizer os bons-dias a quem encontrar. Claro que, se responderem às minhas abordagens linguísticas, fico imediatamente sem resposta pois a minha compreensão é ainda muitíssimo limitada. Com tempo, as coisas vão melhorar, estou certo.
É triste dizê-lo mas o casal de brasileiros da Ninomyia House partiu para Inglaterra. Que bons ventos os levem e que tenham muito boa sorte por Terras de Sua Majestade. Deixaram-me uma série de folhetos turísticos que acho que me vão ser bastante úteis para explorar a região de Ibaraki. Por enquanto, tenho-me restringido nas minhas andanças pois isto de fazer turismo no Japão e caro e eu ainda não estabilizei “finance-wise”. Pois que isto de mudar de país, andar a comprar coisas para a casa, pagar depósitos para tudo e mais alguma coisa, etc. deixa uma pessoa um tanto ou quanto limitada em termos económicos. Mas enfim, é uma questão de deixar passar estes primeiros dois meses. Depois terei mais tempo e dinheiro para poder andar às voltas por aqui e além.


publicado por pmfjcosta às 14:12
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Quarta-feira, 4 de Outubro de 2006
Martin, contador de histórias

No domingo passado, conheci o Martin, um australiano dono do único pub aqui perto da residência. Está casado com uma japonesa e vive por cá já lá vão uns 10 anos. Junto com o Joe, um estudante de Dublin, fomos beber umas cervejas australianas e acabámos a trocar impressões sobre os japoneses e os seus costumes. Assim ficámos a conhecer “o Japão segundo o Martin”. Por exemplo, o facto de os nipónicos terem um distribuição de salários muito mais igualitária que na Europa ou Américas. Vai daí, as diferenças entre um empregado de mesa e o patrão de uma empresa embora grandes não chegam aos extremos europeus. Mas melhor que isto foi o que eles nos ia contando construções japonesas. Para alem de diminutos em espaço, como se tivessem sido comprimidos até ao limite do habitável, os prédios por aqui são por vezes bastantes estranhos. Na verdade, muitas vezes parecem barracões pré-fabricados. E isto mesmo em blocos de apartamentos para famílias de classe média, por vezes média-alta. Segue que os nipónicos não dão pelos vistos tanta importância ao conforto doméstico. Isto é incrível mas temos por aqui prédios com paredes feitas de sei lá, madeira ou plástico ou que raio eles usam – de qualquer forma, não é betão, nem tijolo! São mais maleáveis, contra terramotos, dizem eles! Aquela coisa das casas “a la japonaise”, bem típicas e grandes, são para poucos, muito poucos. O japonês médio vive numa caixa de fósforos. E mesmo essas são caríssimas! Pelos vistos tudo isto advém de um misto de cultura aliada a um certo proteccionismo de mercado por parte das construtoras que faz com que construir uma casa tenha custos proibitivos.

Pois acho que a casa que tenho não sendo um palácio é pelos padrões japoneses um luxo. Isto realmente há dois Japoes. Há o Japão das revistas, das mega-empresas e dos turistas e do outro lado o Japão do quotidiano, o Japão real, onde as casas são minúsculas, muitas vezes sem condições mínimas necessárias, especialmente fora das grandes cidades. O Martin queixava-se que só recentemente – quando veio para Tsukuba - é que começou a viver numa casa com agua canalizada! Que muitas das casas do interior não tem os confortos mínimos! Ainda tenho de ver se isto é verdade, parece-me incrível num país que é suposto ser um dos mais desenvolvidos e ricos do mundo!



publicado por pmfjcosta às 15:44
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Segunda-feira, 2 de Outubro de 2006
A Tour Eiffel, ao vivo e a cores em Tóquio!
Mais uma visita a Tóquio. Desta feita era minha intenção encontrar o Consulado de Portugal. Depois de algumas peripécias, devido a linhas de metro trocadas assim como ruas mal assinaladas, lá consegui dar com o sítio. Um prédio residencial modesto, sem pretensões, com cerca de 6 pisos. Dois destes andares estão reservados para a delegação oficial da República de Portugal. Infelizmente estavam fechados mas como o consulado fica paredes-meias com o bairro Roppongi, decidi ir dar uma vista de olhos. Qualquer estrangeiro que venha a Tóquio tem de passar por Roppongi (http://en.wikipedia.org/wiki/Roppongi). Para além de Portugal, muitas das embaixadas situam-se aqui. Este bairro é o coração da vida dos “gaijin” em Tóquio. Aqui encontra-se gente de todas as nacionalidades para além de ser o sítio principal para se sair a noite em Tóquio. Muitos restaurantes, bares, discotecas, salões de karaoke, enfim, isto à noite mais parece a feira popular. Para meu espanto, no meio de toda esta agitação, avistei uma réplica da torre Eiffel. De facto, os japoneses construíram uma torre tal qual a original (mais alta cerca de 9 metros e pintada a laranja e branco). Esta serve como torre de transmissão para televisões e rádios e é conhecida como Tokyo Tower (http://en.wikipedia.org/wiki/Tokyo_Tower). Vale a pena vir conhecer Roppongi.
No domingo passado, a televisão estatal japonesa veio à Ninomiya House para filmar um programa ao vivo e a cores. Tinham-nos dito que eles iam fazer um show de 2 horas sobre cientistas estrangeiros que vivem em Tsukuba. O pessoal juntou-se, fizeram-se uns pratos típicos de cada país, metemos as mãos na massa (para fazer noodles) mas - desanimo geral - eles apenas transmitiram cerca de 5 minutos. Enfim, é caso para dizer que os residentes tiveram direito ao seu quinhão de fama contabilizado ao segundo! E para mais, eu até tinha ido ao barbeiro...pois, é que finalmente arranjei coragem e fui dar um corte final à gadelha que vinha acumulando desde há dois anos para cá! Enfim fico com a mona mais leve, talvez seja mais fácil para aprender japonês.


publicado por pmfjcosta às 23:51
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