Sábado, 29 de Julho de 2006
Go Tigers!
As coisas passam-se num piscar de olhos – o tempo é relativo, como os relógios do Salvador Dali. Mais uns dias e lá estou eu de volta a Inglaterra. Já sei que uma vez em Cambridge terei uma série de coisas para fazer e acaba-se a doce vida de poder concentrar-me apenas na minha investigação sem os problemas de ter estudantes a todas as horas em cima de mim!
 
Ontem fui ver um jogo de futebol americano. Juntamente com basebol e hóquei no gelo consistia um dos meus objectivos desportivos no Canada (infelizmente eles não tem basebol em Hamilton e hóquei só em Outubro). Paguei o bilhete de 18 dólares, tudo bem, mas o jogo...ó coisa entediante! Tanto mais que a equipa da casa (os Tiger Cats de Hamilton) foram completamente bombardeados pelos visitantes e acabaram o jogo a perder 0-29! Mesmo para uma equipa cheia de problemas como a de Hamilton nem sequer marcar um, é obra! Mas, tal como no jogo de Basket em Boston (Celtics vs. 76ers), qualquer fantasia de gozo de acção no campo é assassinada pelas inúmeras paragens! É impossível uma pessoa concentrar-se pois a cada 2-3 minutos há um interregno! Mas o mais irritante nem é tanto isso. Acho que qualquer tipo de desporto que poderíamos denominar tipicamente americano está afogado em publicidade do primeiro até ao último segundo. Chamar ao que eu passei ontem de uma overdose de anúncios, panfletos e dilúvios de T-shirts McDonalds é pouco e simpático! Imaginem que até as faltas eram patrocinadas. Assim lá assisti a uma boa dezena de “Pizza Pizza” penalties! Facto curioso, que desconhecia, é que cada equipa tem três sub-equipas no futebol americano: uma para ataque, uma para defesa e outra, especial, que apenas vai para campo quando há pontapés à baliza! Enfim, não estou convencido nem tão pouco impressionado.  

Aparte isto tenho-me entretido a seguir as peripécias do blog do Pacheco Pereira. Alguém se anda a divertir bastante – acho que JPP deve odiar o Blogger com quantos dentes tem!


publicado por pmfjcosta às 15:10
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Quarta-feira, 26 de Julho de 2006
Puxa pelos miolos Portugal!
Canadá: Ora cá ando na McMaster a tentar colar pontas soltas em cima do joelho. Tal Lei de Murphy , os problemas com os computadores agravam-se e os meus cálculos congelam sem eu perceber bem porque. Bom, saber até sei – estou a puxar a máquina até aos limites! E como não sou o único a usá-la, e esta só tem um processador (mesmo sendo dual-core ), aquilo não se aguenta e às tantas farta-se e trata de deitar pró lixo o meu trabalho. Estamos a falar de cálculos que por vezes demoram dias (o meu recorde está nos 5 dias). No campo da vidinha do dia-a-dia, isto de estar num país multicultural tem coisas engraçadas. Ao nível gastronómico, por exemplo: para além das típicas panquecas com xarope de ácer , podem-se ensaiar milhentas variedades de produtos. Assim, fruto das minhas idas ao Jumbo cá do sítio, já experimentei Kefir (um tipo de iogurte liquido), leite de arroz, comida Kosher (mesmo as sopas Knorr são abençoadas pelo Rabi!) e até mesmo pão iraniano (um tipo de pão chato e longo – ver foto). E - espantem-se agora – até papo-secos aqui encontrei! Enfim eu cá sou dos que gosta de ir ao restaurante e escolher a comida mais estranha no menu (desde que não tenha experimentado antes e naturalmente, dentro dos limites razoáveis – não me vou por a comer escorpiões assados na brasa ou carne de cão salteada com batatas, por exemplo!).

Franca: De Franca, uma boa notícia. O Pierre diz-me que em Setembro vai-se mudar para Paris. Vai trabalhar para a Universidade Paris 13, que fica próximo de Saint-Denis (na capital francesa as univs contam-se assim, às mãos cheias!). Ele até já andava a pensar voltar outra vez para o Lancashire – safa, não facas isso! Bonne chance, l’ami !

 
Portugal: Pelos vistos andam a fazer umas demonstrações de fuga de cérebros no aeroporto da Portela que é para ver se o pessoal acorda. Depois vem o Cavaco dizer que já há esforço por parte dos empresários – isto porque o Roquette comprou uma máquina três-em-um para a linha de pintura da fábrica de componentes automóveis. Pois...quero ver o que fazem com isso se a Auto-Europa sair de Portugal! Mas a estas compras de nova máquinas chama-se modernização não inovação! Tás a ver Roquette , compras o três-em-um mas o dinheiro vai pró estrangeiro provavelmente pra algum alemão ou japonês que detém a patente mundial. Não chega modernizar é preciso saber pensar novas formas de fazer, desenvolver a propriedade intelectual e concretizá-la em produtos de sucesso. Isto é que é inovação! Comprar máquinas só traz mais eficiência mas nenhuma mais valia acrescida em termos de portfólio de produtos únicos, que se distingam pela originalidade e por criarem novos mercados. Fazer melhor e mais rápido também os chineses o vão fazer dentro de uns poucos anos! A questão está no que é que podemos oferecer não só de melhor mas de original, não só made in Portugal” mas sobretudo DESIGNED IN PORTUGAL”! A corrida centra-se na propriedade intelectual e, logicamente, quem tem os criativos, os pensadores, aqueles que inventam, tem muito mais hipótese de ganhá-la!
 
Mas talvez o que o país quer é ser uma mega-reserva de turismo para reformados europeus. Boa Portugal, continua assim que vais longe!


publicado por pmfjcosta às 01:25
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Domingo, 23 de Julho de 2006
Toronto
O calor húmido continua e os canadianos andam irritados com o PM porque este está demasiado colado à retórica da Casa-Branca.
 
Na sexta fui ao teatro – pois é, sempre se passa qualquer coisa por aqui. Os alunos da McMaster University organizam todos os anos um festival de teatro estival e assim fui ver “Two Gentlemen of Verona”, do Shakespeare. Naturalmente, nada de muito sofisticado ou de altíssima qualidade. Valeu pela paisagem, foi ao ar livre. Mau foi que levei para casa umas mordidas de melgas!
 
No sábado, fui fazer a minha segunda passeata a Toronto. Da outra vez, por falta de tempo, não tinha visto tanto quanto isso da cidade. Cheguei a “Toronto, The Good”, assim lhe chamam os locais, pelas 10 da manha depois de uma hora de autocarro com partida de Hamilton. A primeira coisa que fiz foi tentar, novamente, ir ao topo da torre CN. Desta feita pude subir pois não estava tanto vento como há cerca de um mes atrás. Segundo dizem, esta é a torre mais alta do mundo (free-standing structure) com 553 m de altura (http://en.wikipedia.org/wiki/CN_tower). A cerca de 330 m do solo, eles tem uma sala com chão de vidro sobre o qual nos podemos passear! Para quem tem vertigens é fortemente desaconselhado! Acima deste andar tem o “sky-pod” a uns tremendos 450 m do solo. Infelizmente, o dia estava chuvoso e por isso não deu para ver Rochester nos states ou as Cataratas de Niagara (sim, parece que se podem ver num dia claro, muito claro!). Depois da torre fui até à destilaria da cerveja “Steam Whistle” para ver como eles produzem cerveja por estas bandas. Nada de muito diferente do que já tinha visto em Amesterdão ou Inglaterra ou mesmo Portugal.
 
Com isto decidi ir até a beira-mar (ou beira-lago!) e ver a zona do Waterfront. É bonita mas está dominada por tremendas torres residenciais de 20-30 andares cada. Mesmo em frente tem umas pequenas ilhas que protegem o porto das intempéries marinhas e francamente, fazem deste conjunto um lugar bem agradável. Não fui as ilhas porque entretanto começou a chover. Refugiei-me numas tendas de comes-e-bebes para almoçar um prato típico do Equador (tive sorte, havia um festival de artes e cultura latino-americana ali no Waterfront). Depois disto visitei o centro de artes onde assisti a um show de tango argentino. E não tive de pagar, cheio de sorte, não? Pois... no final, dei por mim sem a minha máquina fotográfica! Procurei na sala, andei a correr entre os achados-e-perdidos, segurança, etc. mas ninguém tinha visto nem sabia de nada! Eu estou desconfiado que foi quando andei nas barraquinhas de comida. Aquilo estava cheio de gente e durante o tempo que estive a espera para fazer a ordem e pagar ainda levei uns toques. Alguém deve ter-se aproveitado e levou-me a máquina. Sacanas! May you burn in hell, you sad little %£*$! Toronto é suposto ser uma cidade segura! Que isto se passasse em Hamilton ainda é como o outro, mas em Toronto! Resultado: fiquei sem as minhas fotos do dia (CN tower, destilaria, etc) e, de ora em diante, não há mais fotos novas (pelo menos até ao fim da viagem).
 
Obviamente, isto estragou-me o dia todo. Ainda andei mais umas horas a visitar ruas e ruelas, jardins e museus. Nota de curiosidade: Toronto tem a rua mais longa do mundo, a “Yonge Street” (http://en.wikipedia.org/wiki/Yonge_Street).
 
Voltei de novo ao centro de artes mas nada tinha sido visto ou relatado! Bruxo! Pois..até amanha. 

sinto-me:

publicado por pmfjcosta às 17:14
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Sexta-feira, 21 de Julho de 2006
Bourne Identity - III
Mas se ontem vos falava das vantagens do Canadá hoje vos informo que é impossível esquecer que estamos na América do Norte. Na verdade, as cidades e todas as infra-estruturas estão pensadas para os carros, não para as pessoas. Por vezes, quando tenho de ir ao supermercado, e sou dos poucos que o faz a pé, tenho de me aventurar por ruas onde muito embora haja estrada em abundância (de duas a três faixas em média, da largura de uma auto-estrada portuguesa) não se vislumbra um passeio! Ou se o há acontece desaparecer, como por mistério, a meio do caminho e o peão lá fica sujeito a caminhar por bermas mal-amanhadas. Mas mais, há avenidas de sentido único com cerca de quatro faixas de rodagem a passar pelo meio da cidade (e isto é Hamilton, uma cidade de segunda!). E deve ser pior lá para sul! Tem terreno em demasia!
Outro problema são as questões estética e cultural. Aparte as grandes cidades como Toronto ou Montreal, o resto é uma feia pasmaceira. Hamilton, por exemplo, é um desastre. Tudo o que há são umas poucas salas de cinema (repletas de blockbusters de Hollywood, não há paciência), um teatro a cair de podre e uns museus que são uma pobreza. Isto para uma cidade com cerca de meio milhão de habitantes! Acho que até agora Montreal é a minha preferida. É uma cidade que tendo uma arquitectura preponderantemente a americana (na vertical) conseguiu, no entanto, influir uma ambiência um pouco mais relaxada e interessante. Mas dizem-me que Montreal se foi abaixo a partir do fim dos anos 70 quando muitas pessoas se mudaram para Toronto devido ás crescentes tensões independentistas da província do Quebec. Gostava de ter tempo para visitar Vancouver pois dizem-me ser uma cidade muito cool. Infelizmente, tempus fugit, logo terá de ficar para outra vez. A ver se ainda posso dar mais um pulo a Toronto um destes weekends.


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Quinta-feira, 20 de Julho de 2006
Bourne Identity - II
Pois assim parece que o Canadá tem muito trabalho pela frente para construir um país de raiz multicultural onde haja um sentido de identidade única. Por enquanto, ficamos a observar todos os separatismos e problemas sociais provenientes dos diferentes grupos da população canadiana.
É pena pois uma maior unidade do país poderia torná-lo mais forte aquando das negociações políticas e comerciais neste continente (para pelo menos contrapor um pouco a capacidade de persuasão dos seus vizinhos). Com tanto divisionismo ficam os "states” a rirem-se.
Este é um país rico mas contrariamente ao US tem um sistema social aceitável. Quando mo disseram fiquei surpreendido. O sistema nacional de saúde é comparável aos europeus, de tal forma que o Guillaume , o pos-doc francês, me dizia que se assemelha ao deles. Há médicos de família, pode-se ir a clínicas e ser-se recebido no mesmo dia, os medicamentos são comparticipados, ... Mas não há bela sem senão e no que se refere a reformas isto é uma miséria...o dinheiro da pensão do estado não dá para mandar cantar um cego. Mas isso também se vive já em Inglaterra e dentro em breve em Portugal. Gostei de ver estas diferenças em relação aos vizinhos. Além disso os Canadianos são mais tolerantes como povo.
Inté


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Quarta-feira, 19 de Julho de 2006
Bourne Identity - I
Quero contar-vos acerca de uma questão curiosa relativa aos Canadianos.
Aqui há pouco tempo celebrou-se o Dia do Canadá (1 de Julho). Por todo o país houve festas, concertos, discursos políticos, etc. Ora por essa altura, andava eu pelas Plaines d’Abraham, sitas no centro histórico da Quebec City. Aí assisti ás celebrações onde me pareceu que estava bastante gente (uns bons milhares de qualquer forma). Todavia, depois de ter falado com alguns Quebequois dei-me conta que não, que afinal eram poucos, mesmo muito poucos. E aparentemente festa grande é-o durante o Saint Jean Baptiste, o feriado da província do Quebec (24 de Junho) – nessa altura toda a cidade sai para a rua e as muralhas quase vem abaixo com tanto entusiasmo e movimentação.
 
Pois os Quebecois aqui no Canada são conhecidos pelas suas pretensões pró-independentistas, pelos seus discursos separatistas, orgulhosos de uma cultura francófona que muitas vezes choca com os valores mais “anglo-americanizados” do resto do país.
 
Mas para além do Québec há toda uma série de outros problemas. A começar pelos índios autóctones que continuam uma luta de reconhecimento pelos seus direitos. Neste preciso momento andam a manifestar-se contra a expropriação de terrenos em Stoney Creek (sul de Hamilton). Outra pérola tem de ver com a província de Alberta. Recentemente começaram a extrair petróleo e devido ao elevados preços do ouro negro encontram-se cheios de dinheiro. Antes eram uma província banal sem grandes recursos, nem indústria; agora já andam a dizer que querem ser independentes e que não precisam das outras províncias do Canadá para nada. Mas acima de todas estas problemáticas regionais (movimentos secessionistas há-os por toda a parte – não é ó Excelentíssimo Dr Eng Arq Alberto João Jardim?), o que mais me espantou foi a voluntária negação por parte de muitos cidadãos quanto a sua nacionalidade. Parece que (aqui em Ontário pelo menos) ninguém se identifica como “homo canadianos”. É-se sempre um hispano-canadiano, germano-canadiano ou luso-canadiano, ou qualquer outro tipo de nacionalidade hifenizada. Muitos apresentam-se mesmo como sendo simplesmente por exemplo, portugueses. São na sua maioria filhos ou netos de emigrantes e que, por uma razão ou outra, preferem abraçar um país que demasiadas vezes lhes é estranho. São inúmeras casos aqueles que se dizem alemães, italianos, portugueses, mas que nunca foram visitaram esses países, que não falam uma palavra da língua, que não auferem da nacionalidade. Não é tanto a minha sensação de estranheza face a estes “portugueses” e o seu esfusiante entusiasmo - sabe bem ver esta gente defender e sentir mais Portugal que muitos daqueles que aí vivem. O que realmente perturba é a quase rejeição total da identidade canadiana. E não são nem um nem dois casos isolados, mas toda uma franja da população que aguerridamente preserva a cultura dos seus antepassados sem sentir uma necessidade imediata de integração no tecido social canadiano. Para eles, principalmente jovens adultos, fica bem, é chique. E isto acontece quando mais a sul, os vizinhos adoram fazer gáudio do seu patriotismo. Nos “states”, se por um lado se põe em causa todo o tipo de minorias e questões étnicas (gays, judeus, afro-americanos, latino-americanos, etc.) poucas vezes se vêem manifestações tão abertas de rejeição nacional-identitária por parte da população jovem.
 
Enfim, uma questão bem complexa que dá pano para mangas! Amanha temos mais.
 

música: Falling into you - Céline Dion

publicado por pmfjcosta às 03:38
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Segunda-feira, 17 de Julho de 2006
Jardim Botânico na Cidade do Aço
Mesmo com um calor de fazer mal à moelinha, e com uma humidade acima dos 100% (como o Gabriel Alves diria), dei comigo a passear pelo jardim botânico cá do sítio. Orgulham-se de serem os únicos em todo o extenso território do Canadá que tem a denominação de Royal (http://www.rbg.ca/index.html). E assim temos o Royal Botanical Gardens (RBG), em Ontário...pois é, viva o British Empire!
 
Mas é preciso dizer que este não é um Jardim Botânico do tipo da Rua da Escola Politécnica em Lisboa - a extensão de terreno deste parque é de cerca 1100 hectares com qualquer coisa como 30 km de trilhos para explorar. Nada mau para um Jardim!
 
Aqui ao lado da residência fica a margem direita do lago que domina o parque. A esta parte de ca chamam-lhe O Paraiso do Cootes (Cotes foi um capitão do exercito inglês, sec XVIII, que usava esta área para pescar e passear). Há umas semanas fiz uns quantos km de trilho neste lado do lago. Hoje fui ver o que havia na outra margem – e não me arrependi pois a vista é bem melhor. E para mais tem uma fauna interessante (tive um encontro imediato com um veado o qual esteve a pouco mais de dez metros de mim). O RBG está dividido em várias secções: o Cootes Paradise, o Arboretum, o Rock Garden, o Laking Garden, etc. Eu visitei apenas três e mesmo assim foram cerca de 5 horas a andar quase non-stop. Muito ficou por ver, infelizmente.

O que é realmente fascinante é terem sido capazes de preservar este espaço numa área que fica paredes-meia com um dos maiores complexos siderúrgicos da América do Norte! Como disse anteriormente, Hamilton é cognominada de Cidade do Aço do Canadá. Mas de uma forma ou outra lá conseguiram fazer um trabalho como deve ser. Pelo menos o parque parece limpo e o lago está cheio de vida selvagem.
 
Entretanto, e para rematar, li aqui no Hamilton Spectator (o jornal local que recebemos de graça e sim, também tem uma secção internacional, pobre mas tem) que o Chirac gostava de ter sido lutador de sumo! Ora, por esta não esperava. Mais ainda, o primeiro-ministro do Japão é um fã inveterado do Elvis e sempre que pode faz um karaokes a imitar o Rei do Rock. O melhor é eu começar a aprender a cantar o Love Me Tender!
 
Sayonara

música: Qualquer uma do Elvis Presley

publicado por pmfjcosta às 00:41
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Sábado, 15 de Julho de 2006
Hamilton - cidade de ferro e chuva
Isto de ter um blog por vezes leva-nos a tentar escrever todos os dias. Mas na verdade ás vezes nada se passa de extraordinário. Posso-vos dizer que o homem da Baviera, Michael, está de volta do seu périplo nos Great Lakes. Pelos vistos, deu-lhe forte no acelerador e conseguiu fazer uma média de 400 km por dia durante duas semanas! E isto sozinho! Já o sabia de antemão mas ele confirma - a zona em redor dos lagos assim como as costas e praias destes são realmente de uma beleza fantástica. Pena que eu não tenha tempo para fazer o mesmo.
 
Entretanto, ontem (Sexta, 14 Julho) fui sair com o Gerhard para beber uns copos em Hamilton. Esta é a cidade que o pessoal de Toronto denomina de “O sovaco” (por causa da situação geográfica no Lago Ontário, suponho) ou “A cidade do aço” (sem dúvida devido ás imensas siderurgias que caracterizam a cidade). Aqui, em Hamilton, sair à noite significa ir dar uma volta à única rua onde tem bares e discotecas (se é que se podem chamar discotecas). Enfim, andávamos por lá, aquilo estava cheio de gente (também pudera para uma cidade de meio milhão de pessoas só terem uma ruela para a night-life, não chega!), quando qual o nosso espanto, nos damos conta que o festival de Jazz de Hamilton estava em pleno progresso. A princípio não percebemos que o palco onde estavam uns marmanjos a imitar ora Ray Charles ora Red Hot Chilli Peppers, era de facto parte de um festival. Enfim, mas vale isto que nada.
 
Estava uma daquelas noites de calor abafador que mal deixa respirar. Mas também não tardou a chover torrencialmente. Isto é preciso uma pessoa habituar-se as inesperadas cargas de água aqui no Canada. O Michael também se queixou de autênticas tempestades de céu negro na região do Michigan.
 
Entretanto, já faltam apenas duas semanas para voltar para Cambridge. é pena mas tudo o que é bom não pode durar para sempre!
Saravá


publicado por pmfjcosta às 19:41
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Quarta-feira, 12 de Julho de 2006
Mesa com vista para o lago
Ontem o dia foi marcado pela queda de aguaceiros tipo trópicos (pelo vistos houve mesmo avisos de possíveis furacões no Canada!). Havia tanta água a descer do céu que mais lembrava as cascatas de Niagara– felizmente eu estava no escritório quando as chuvas vieram. Hoje o sol brilhou de tal forma que até deu para ir almoçar a Burlington . Pequena localidade à beira do lago Ontário, muito bem arranjada e pelo que me dizem um dos sítios da alta do Canada (as estatísticas federais dizem que esta no top 5 das zonas habitadas por pessoas com mais educação, poder compra, etc., etc.). Mas o que eu queria dizer é que o grupo foi fazer uma almoçarada a beira do lago. Pub com varanda para o espelho de água e comida bem à maneira – isto até parecia que estava de volta a Portugal! Preciso dizer que o lago tem uma extensão brutal, mais parece um mar. A ocasião para o agrupamento foi o au-revoir de dois pos-docs do grupo os quais vão partir para os Estados Unidos (o Martin vai para Cornell trabalhar com o David Muller ) e Franca (o Guillaume vai para Marselha trabalhar para o CNRS ).  

Foi porreiro e ainda deu para conversar com a Glynis , a esposa do Gianluigi . Bastante interessante o percurso dela. Nasceu em Goa, ainda durante o regime português, e seguiu para Portugal aquando da invasão de Goa pela Índia em 1961. Esteve em Lisboa até aos 18 quando seguiu para o Canadá para tirar medicina. No entanto, cedo se cansou e foi trabalhar num laboratório enquanto tirava um curso de engenharia em Montreal. Depois veio para Cambridge para fazer o doutoramento no mesmo departamento onde eu estou. E, por coincidência, colégio dela era o Wolfson ! Foi engraçado falar com ela em português e aperceber-me de como a comunidade portuguesa por estas bandas infelizmente reproduz o estigma daquilo que está espalhado pelo mundo inteiro – trabalham de sol a sol, ganham mais ou menos a vida mas quando chega a termos de educação e lugares de destaque na sociedade aparecem sempre em último lugar ou quase, atrás dos emigrantes chineses, indianos, franceses, italianos, ...Talvez as coisas mudem em breve.
 
Então agora os jogadores de Portugal querem isenção de IRS? Isto é que o país vai um gozo! Para além daqueles que roubam e fogem ao fisco agora também as figuras públicas o fazem aos olhos de todos – haja decoro! Eles que tenham isenção se aceitarem doar o dinheiro dos prémios para instituições de beneficência (como o fizeram o Gates e o Buffett , esses é que sabem como dar a volta ao fisco).
E para quem não sabia (na data da morte de Syd Barrett ), os Pink Floid são originários de Cambridge, UK .

música: Dark side of the moon - Pink Floid

publicado por pmfjcosta às 03:20
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Segunda-feira, 10 de Julho de 2006
O fim da febre
Hoje foi dia de final - grande jogo, com as duas equipas equilibradas e alguns toques de bola bem a maneira. Pena a atitude do Zidane , perdeu a cabeça, coitado! Para mais no último jogo da sua carreira. Eu, português, estive com uns franceses num pub irlandês situado numa rua de Hamilton no Canadá. Boa mistura, não?
Surpresa foi quando, ao sair do pub, ouvi o meu nome em alto e bom som do outro lado da rua. O Gerhard , por coincidência, tinha parado por aquelas bandas para assistir ao jogo. Pois, o rapaz de Gratz , está de volta da sua visita a NYC . Como não podia deixar de ser traz uma série de histórias – pelos vistos não o deixaram pisar o court central em Flashing Meadows . Mostrou-me algumas das centenas de fotos que tirou e confirmou aquilo que eu já temia, Buffalo é uma cidade para riscar do mapa: feia, porca e muito entediante!
Aparte isto foi um dia para ir as compras ao Fortino’s e lavar roupa.
 
Itte rasshai (até a próxima, em japonês)


publicado por pmfjcosta às 03:05
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