Domingo, 17 de Setembro de 2006
Tokyo dreams
Ontem apercebi-me que os japoneses têm um sistema próprio para contar os anos. Claro que reconhecem o sistema ocidental (presente ano sendo 2006) mas aqui o que conta realmente são quantos anos tem o imperador de trono. Numa semana onde vimos a nascimento do novo príncipe, terceiro na linha ao trono, fiquei a saber também que estamos portanto no ano 18 da era Heisei. No Japão cada reinado (era) tem um nome próprio o que fará com que o Imperador Akihito seja reconhecido póstuma e oficialmente como Imperador Heisei (http://en.wikipedia.org/wiki/Emperor_Akihito). Um aparte: para aqueles que estão interessados em aprender umas bases de Japonês (como eu, por motivos óbvios) uma boa página é http://lrnj.com/ -divirtam-se.
Hoje foi dia de ir a Tóquio, essa cidade gigantesca de cerca de 13 milhões de habitantes. Tóquio é o maior centro económico metropolitano do mundo com um PIB de 1.35x1012 USD, ou seja, cerca de 10 vezes mais que o PIB de Portugal! Da primeira vez que cá vim (Março 2006) fiquei a conhecer bem o bairro de Ueno. Há duas semanas atrás passei-me por Akihabara. Tóquio, tal como Londres ou Paris, tem ser visitada assim, por partes. Ora então, hoje foi a vez de do bairro de Ginza. A primeira paragem foi no Fórum Internacional de Tóquio. Este Centro foi criado para albergar exposições, conferências e demais eventos culturais, um pouco como o Centro Cultural de Belém. Mas a arquitectura é muitíssimo diferente. Uma estrutura toda ela em aço e vidro, de uma vastidão arrasadora e em forma de olho quando vista do ar. Impressiona pela sensação de espaço e luminosidade. Tive sorte pois exactamente na altura que ali cheguei estava a decorrer um Festival de Cinema Brasileiro. Organizado por uma associação de brasucas, como seria de esperar, estes são na sua generalidade filhos de japoneses que emigraram durante o pós-guerra (fim da década de 40 e anos 50) para o Brasil. Muitos estão agora a voltar para o país dos seus antepassados não só à procura de melhor emprego e nível de vida mas também, suponho, para se redescobrirem. Enfim, saltei para dentro da sala para ver o filme que iam mostrar. Longe de ser uma obra-prima foi no entanto uma boa forma de experimentar uma ida ao cinema no Japão. Continuando...Ginza é um bairro muito trendy com bastante lojas de marca tipo Dior, Hermes, Porsche, ... estão ver o estilo. Para além disso tem atracções fabulosas como o show-room do edifício da Sony. Cerca de 5 andares onde estão expostos praticamente todo o tipo de produtos comercializados pela Sony e outros ainda que não se encontram à venda (protótipos ou prestes a ser lançados). Foi assim que dei uma vista de olhos pela nova Playstation 3 (muito stylish) e assisti a uma demonstração tipo home-cinema dos novos discos Blu-Ray (absolutamente genial!). Foi como estar numa loja de doces – não sabia para onde me virar (televisões, leitores mp3, laptops, uma parafernália de coisas que apetece comprar imediatamente). A próxima paragem foi no cruzamento Ginza 4-Chome Intersection. Trata-se de uma intersecção de avenidas enormes onde passam todos os dias talvez dezenas de milhares de pessoas. Parece-se um pouco com Picadilly em Londres na abundância de néons e ecrãs gigantes mas a um nível muito mais complexo e impressionante. Os nipónicos adoram estas coisas, ecrãs gigantes há-os espalhados pela cidade inteira – ecrãs de publicidade, com clips de música, notícias de última hora, ... Infelizmente desta vez não tive tempo de ir ver uma peça de teatro Kabuki, um dos estilos tradicionais de teatro japonês. De qualquer forma estou contente pois fui capaz não só de ir a Tóquio como também de andar pelo metro e linhas de comboio urbanas de Tóquio sem me enganar. E fiquem sabendo que se pensam que Londres ou Paris tem muitas linhas, aqui a história é muito mais complicada! Não só o sistema de tarifas é completamente diferente como na maior parte dos casos só se encontram mapas das linhas em japonês! E, como seria de esperar o número de estacões é também muito mais numeroso!
Devido à relativa homogeneidade do povo japonês, Tóquio é muito menos cosmopolita que Londres, apresentando-se como um conjunto cultural mais coerente. Visitar Tóquio e admirar os enormes arranhas céus, a extensão imensa das avenidas, a quantidade arrasadora de pessoas na rua, os néons num permanente estímulo visual... agora percebo o que é a sensação do Lost in Translation da Sofia Coppola! Não é um sentimento de estar perdido, de receio...é encontrar-se mergulhado num mundo diferente, absolutamente estranho, quase uma dimensão paralela à nossa! Andar pelas ruas de Tóquio, passando por bairros tão diferentes como Ginza ou Akihabara, é uma aventura que pouco se compara ao que tenho visto noutras grandes cidades do hemisfério Norte (Madrid, Paris, Londres, Berlim, Boston, Toronto,...). Para isso, estou certo, muito contribui a barreira linguística. Fica a sensação de a cada rua poder-se descobrir qualquer coisa de inédita, diferente, repleta de estímulos urbanos como se percorrêssemos a par e passo um tabuleiro virtual, tal qual um jogo de Playstation. Fascinante!


publicado por pmfjcosta às 03:29
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1 comentário:
De fernando_vilarinho a 17 de Setembro de 2006 às 16:43
Oi!

Gostei de ler as tuas crónicas pelas terras nipónicas. Desejos de sucesso para a tua vida profissional e pessoal, agora aí no Japão.

bye


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