Domingo, 24 de Setembro de 2006
O modelo Japonês – alive and kicking, still
Estou espantado como as coisas funcionam por aqui. Não posso, nem quero tecer grandes considerações sociais e/ou económicas mas não posso deixar de fazer um comentário sobre o sistema japonês. Deste ainda conheço muito pouco mas não me deixa de espantar que, naquele que é possivelmente o país mais avançado tecnologicamente do mundo, exista tanto contraste com outras nações na maneira de proceder e tratar o ser humano. Em Inglaterra, e geralmente nos países ocidentais, a norma é tentar maximizar a produção automatizando ao máximo quaisquer funções. Ou seja, se houver uma máquina que seja capaz de fazer o mesmo trabalho que um ser humano, nem se pensa duas vezes. Toca de modernizar e lá vão uns milhares para a rua. Aqui, o que me surpreende, é que por demasiadas vezes tenho observado situações onde eu diria que o número de indivíduos que estão incubidos de uma tarefa é notoriamente excessivo (ou muito mais elevado) do que é comum para a mesma função nos países ocidentais (especialmente anglo-saxónicos). Assim, por exemplo, num parque de estacionamento, ao passo que em Inglaterra temos um funcionário na recepção (se tanto) munido de uma miríade de cameras de vigilância com sistema de alarme centralizado e ligado a uma central de segurança, aqui tem uma série de seguranças distribuídos por vários pisos. Ás vezes, na entrada/saída dos parques, há mesmo dois seguranças (os quais estão de plantão todo o dia) e deva-se salientar que a entrada/saída são conjuntas, não é que fiquem uma de cada lado do edifício. E como esta situação há muitas outras que poderia referir. Ora não me parece que seja por falta de tecnologia que eles não reduzem o número de pessoal. Acho que tem de ver realmente com o sistema social e a maneira de fazer as coisas aqui no Japão. E mesmo com todo este manancial de funcionários, o qual qualquer bom gestor ocidental diria que é excessivo e para descartar o quanto antes, o país funciona e impõe-se como um dos mais poderosos economicamente no mundo inteiro. Ora então digam-me lá o que é que é assim tão diferente no Ocidente? Por que é que um sistema assim não poderia resultar noutros países? Porque os despedimentos em massa, aos milhares? Aliás, acho que qualquer companhia que o faca no Japão fica extremamente mal vista aos olhos da população local e poderia, por conseguinte, perder uma larga fatia de mercado interno. E digo-vos que os japoneses são muito fiéis ao que é japonês e mais ainda ao que compram, portanto uma vez perdida a confiança dos consumidores é particularmente difícil reconquistá-la aqui. Na verdade, a maioria do parque automóvel é de fabrico japonês (eu diria 8 em cada 10 automóveis). O mesmo se refere aos electrodomésticos e demais aparelhos electrónicos.
Enfim, são coisas que dão que pensar. Talvez alguém um dia me possa explicar o porquê de tudo isto? Como é que o Japão, embora com os seus defeitos (nacionalista, pouca abertura, etc.), consegue reter um sistema de dimensão humana e simultaneamente afirmar-se economicamente, coisa que notoriamente se perde a passos largos no Ocidente?


publicado por pmfjcosta às 11:11
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